A etiqueta brasiliense recebeu a marca Pinga para dar destaque a criações exclusivas e ações sociais de 11 labels brasileiras na capital
Por/Júlia Marques e Ilca Maria Estevão - Metrópolis
Nos dias 27 e 28 de março, a multimarca paulista Pinga desembarcou pela quarta vez em Brasília, promovendo uma experiência de moda autoral na loja Jeté, localizada no Lago Sul. O evento reuniu 11 marcas de design independente, consolidando-se como um importante agente de conexão entre estilistas brasileiros e o público presente na capital federal.
O intercâmbio fashion da Jeté
A iniciativa reforçou a sintonia entre a Pinga, comandada por Catharina Johannpeter e Gabriela Paschoal, e a Jeté, da jornalista Raquel Jones. “O papel da Jeté é, assim como a Pinga, focar na curadoria de peças que criam desejo e que têm um pensamento criativo por trás e, obviamente, valorizar a moda nacional”, destaca Jones, à coluna.
Sobre o que teve de especial nesta edição, a fundadora da marca brasiliense ressalta dois pontos:
“A cada edição, aprimoramos e entendemos melhor o mercado. Nesta, o que tivemos de diferente foi a presença da idealizadora da Pinga, a Catharina Johannpeter. Depois de tanto sucesso, ela quis conhecer o público de Brasília. Unimos a arte com a moda, trazendo a ONG Paramar, que cuida de crianças na região do Nordeste. Eles puderam expor várias obras de artes no local, e parte da venda dessas obras foi destinada a essas crianças.”
O projeto social, formado por mulheres nordestinas, atende mensalmente mais de 400 crianças e adolescentes em Pernambuco. Eles oferecem ainda aulas de reforço escolar, artes, música, balé e capoeira.
Entre os destaques das marcas presentes nesta edição, estavam: a estilista Laura Cangussu, que apresentou criações em seda 100% brasileira, pintadas à mão; e as marcas Madnomad e Aô, que apresentaram as coleções de inverno 2025. O evento foi também marcado pela estreia da Argalji, grife conhecida pelas peças esculturais e exclusivas.
“O público gostou bastante! Viramos uma comunidade mesmo, da Jeté e da Pinga. Isso é muito legal, pois gera um sentimento de pertencimento, de importância, e é legal esse intercâmbio de estilistas vindo de fora para conhecerem também os estilistas daqui”, diz a jornalista.
Para Raquel, a busca pelo exclusivo tem crescido cada vez mais. “Eu vejo essa procura por uma peça que ninguém tem. Isso se reflete também no crescimento do mercado de segunda mão. Por que não comprar uma bolsa da YSL de 1960 que só aquela pessoa vai ter? Isso é o máximo”, ressalta.
Com o evento, a profissional também refletiu mudanças no comportamento do consumidor: “Vivemos várias mudanças de comportamento, muito por conta do TikTok. Com a pandemia, perdemos um pouco da ideia de calendário de tendências. As marcas pararam de desfilar e, ao invés da indústria ditar a moda, as próprias pessoas passaram a produzir conteúdo e impulsionar tendências. Nesse mundo de informações, ser autoral é a melhor forma de ser autêntico.
Com uma programação que combinou moda, cultura e impacto social, a quarta edição da festividade reafirmou o evento como uma vitrine essencial para o design brasileiro e um ponto de efervescência criativa na capital federal. “O melhor de tudo é conectar pessoas com pessoas”, finalizou Raquel.